quarta-feira, 5 de maio de 2010

Cidadão Instigado




Hoje eu machuquei meu pé no
                                           chão
Comum é, mas idiota também.

               Ô seu alceu! uma ajudinha aqui pro irmão
          que caiu
sem nenhum vintém.

me  diz  uma  coisa   rapaz
ja   trocou  o  teu  manto?
esse  tá  claro  demais
pega  essa  poeira  aqui
e   lava  suas  mãos
a  cidade  sabe  o  que  faz

             lágrima suja!? deixa ela aí
            quem sabe dá uma máscara?
             assim você se protege
                  meu filho


Ô MÃE!! o Pedro matou um passarinho
aqui no quintal, joguei a máscara nele
ele chorô, num gostei, pensei que cê
tudo sabia mãe.

             Deitados aí, os eternos de moral duvidosa
              amor? felicidade?
               eu só quero uma e
                                          s
                                           c
                                            a
                                             d
                                               a

terça-feira, 4 de maio de 2010

Aos Invísiveis


minha inspiração vem da tristeza
esta que rodeia a vida
rodeia e nos tasca um soco no peito
apenas pra mostrar quem é que manda.
submetemo-nos sem saber o que é isso
reviramo-nos para não senti-la
mas em cada momento, olha ela lá
invejo muito quem não a vê
pelo menos finge essa situação
o fingimento é uma grande invenção
e como é!
colorimos o mundo para não o sentir
mas há quem sente, e sofre
é para os invisíveis que escrevo
com letras maiúsculas, este ode-o.
que não são vistos e
que não por falta de vontade
não conseguem ver.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Olhar (Letra)

É assim que se vê o mar (2x)
com olhos para nadar (2x)
Abra a mente, abra os olhos
abra os braços, abra as mãos
pra segurar o furacão (2x)
O Olho (2x)
o olho do mar, do furacão, do ser amar

terça-feira, 20 de abril de 2010

Naufrágo


Nau, Fragatas
Levaste em tua onda
minha breve comoção

A onda consertou
o casco dolorido.
abracei o produndo

(Everton/Lita)

domingo, 7 de março de 2010

Livre-Arbítrio Desconjurado


Tosse de volta tudo o que tragou
chora com nuvens na mão
o grito de um bebê
com a força do mundo
veia estufada, impede
pede
passagem pro mundo
um centro óxido arde
expele pele dura
o início era distante
fomos jogados, simples assim
rodopiando, se queixando
adorando esse fruto da nossa
não imaginação
vida tanto morte tanta vida
cada um não é,
desviam e abrem o destino
a um âmbito muito mais belo
e menos encaixotado.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Com o dom, A Palavra.


como é tortuoso o caminho da palavra
torce retorce distorce contorce
metamorfa-se
continua, não importando natalidade
nem lápide

assombra entristece
ressalta enaltece
elucida, tenta
falha falha falha

Fé, é preciso ter fé
nela que não se explica
para uma palavra não há metalinguagem
um universo, talvez...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

um dia na vida


Algum cedro morto sustenta meu copo vazio que logo se enche com um movimento positivo da cabeça. Observo o líquido que tem a cor de um fim de tarde dominical e penso "o que me faz falta é o que já não me faz falta". Olho para minhas mãos, minhas unhas, crescem, o prato de flores cresce, o sorriso da garçonete de olhar opaco, cresce, a criança chora à partida do pai, cresce, cresce! creche! cheque! xeque. Esse sexo de imagens já me interessou, mas agora não passa de fragmentos no meu inconsciente, conviver com a solidão é um trabalho duro, mas também rende bons frutos, mato minha bebida sem misericórdia, levanto-me e sorrio, vejo rostos indiferentes e esboços de simpatia, jogo um adeus pro ar e sigo meu rumo.