quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

um dia na vida


Algum cedro morto sustenta meu copo vazio que logo se enche com um movimento positivo da cabeça. Observo o líquido que tem a cor de um fim de tarde dominical e penso "o que me faz falta é o que já não me faz falta". Olho para minhas mãos, minhas unhas, crescem, o prato de flores cresce, o sorriso da garçonete de olhar opaco, cresce, a criança chora à partida do pai, cresce, cresce! creche! cheque! xeque. Esse sexo de imagens já me interessou, mas agora não passa de fragmentos no meu inconsciente, conviver com a solidão é um trabalho duro, mas também rende bons frutos, mato minha bebida sem misericórdia, levanto-me e sorrio, vejo rostos indiferentes e esboços de simpatia, jogo um adeus pro ar e sigo meu rumo.

4 comentários:

Lucas Pessoa disse...

uma das punhetas mais bonitas que já li auhauh... "Cedro" ... "movimento positivo da cabeça" (pra cima e pra baixo)... "liquido de cor de fim de tarde dominical" (aquele branco preguiçoso do ceu de domingo) ... "olho para as minhas mãos" ... "o prato de flores" (ficar pelado ao ar livre é foda) ... "o sorriso da garçonete" (safado) ... "a criança chora a partida do pai" (se equipara as dores do parto com o gozo, certeza que falam disso na psicanalise) ... "cresce, cresce, cresce...xeque" (saca o crescimento da tensão e XEQUE [gozo]) ... "olidão é um trabalho duro, mas também rende bons frutos, mato minha bebida sem misericórdia" (que delicia de cena) ... depois vai embora como numa punheta de um dia qualquer na vida
BOM DEMAIS...DEMAIS

Anônimo disse...

QUE TEXTO DE HIPPIE SUJO!!!!!!
O Lita saiu da psicologia mas ainda ama Freud, quem não ama né? hahahahahaha

Pa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucas Pessoa disse...

Eu, andrew! Muito pelo contrário! auhauha