quinta-feira, 12 de agosto de 2010
On The Road
Grito silenciosamente com o vento
No meio da estrada as sombras dançam
e me levam, leve
onde vou, folhas de eucalipto morrem
e renascem no chão
casam-se com o som da liberdade
e avisam que o destino
é só um faz de conta
Síntese
Quero escrever tudo
com todas as palavras possíveis
Quero cantar a vida
e o que não se vê nela
Quero catar o vento
e os rabiscos no muro
Quero a poesia de todos que conheço
e pintar meus amigos em aquarela
Quero tirar do teu peito o coração
e remover dele a razão
Quero lembrar de mais
pra não parar de escrever jamais
Quero que Freud seja assombrado
como ele nos assombra
Quero que Jesus não seja mais cristo
isso eu faço pelo coitado, e eu insisto
Quero muito uma maneira de desfazer
a besteira das pessoas quererem ser imortais
Quero uma velhice numa cadeira de vime
debaixo de um pé-de ipê
Quero uma morte tranquila
com flores e bandas
e repito
Queria lembrar de mais
pra não parar de escrever jamais
Na parede
O tamborim não tem mais seu gato
Samba?
Roquenrou amarelou
se acomodou, se desertou
nem tudo são flores,
[desbotadas
Bota-se é merda nelas
pra delírio das moscas
De duas, uma é menos
e a outa invísivel canta
as vitórias nunca acontecidas
bradando no peito, um coração frio
[vil
que aparece sempre
com as desilusões
ou com as facilidades do pós-trinta
BUNDÕES!
E uma contradição se estampa
num palavreado no muro
os poetas imaculados se viram burgueses
e nós, seus fregueses.
Soneto para dormir bem
Receite uma noite calorosa para um amigo
E desgute-a com ele sem contra-indicação
dose sem pensar os amores casuais
mesmo que depois precise de analgésicos
Destile a música do antes dia
beba-a sem moderação
Faça uma pessoa sair de sua real idade
tornem-se infâncias da amizade
Quando o sol estiver colocando a lua de ressaca
Sente-se e abrace quem estiver por perto
Na falta de alguém, não se esqueça de ninguém
E por fim, pra quem fuma, fume, pra quem ama, ame
Sorria para quem o machucou, beije seu rosto
vá para casa, na cara, um sorriso de puro gosto.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Nada a Comentar
Hoje me aconteceu algo.
não sei explicar, é algo então.
nem palavras, nem gramáticas
podem sair disto
como não sairam do som que ouvi
se elas se libertassem, eu conseguiria explicar
mas não seria uma gaita em uma mão maltrapilha
seria cola num nariz sujo e desiludido
ser prolixo não é comigo, mas neste caso
tenho a necessidade, pois me aconteceu algo.
só para provar que todas as palavras,
sem desfazer de sua importância
são impotentes e desnecessárias
perante o que acontece dentro de nós.
Isto é algo, talvez.
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